Nas comparações entre Estados Unidos e Brasil, uma das características positivas mais comuns nos EUA é a questão da segurança. Aqui as leis funcionam, os índices de furto, roubo e corrupção são mínimos se comparados ao Brasil, e, na maioria dos lugares, é possível andar nas ruas sem a tensão e o medo de não voltar vivo para casa. Mas como tudo tem um lado positivo e um negativo, nos Estados Unidos as incidências de catástrofes naturais são infinitamente maiores. Não é preciso voltar tanto no tempo para lembrar do furacão Matthew, em outubro de 2016, que depois de varrer as Bahamas, atingiu a Flórida, a Geórgia e a Carolina do Norte com ventos de 185 km/h; ou ainda, mais recentemente, do Harvey, que atingiu em agosto passado a cidade de Houston, no Texas, deixando uma inundação sem precedentes.

O Irma deixou um rastro de destruição em San Martin. Crédito da foto: CNN.com

Poucos dias atrás vivenciamos os impactos causados pelo furacão Irma, que chegou a atingir a categoria 5 (a mais alta na escala Saffir-Simpson) e causou estragos em Cuba e em várias ilhas do Caribe, como Saint Martin, nas Ilhas Virgens americanas e britânicas, no arquipélago de Anguilla, em Porto Rico e em Barbuda.

Embora o pior já tenha passado aqui no sul da Flórida, a ideia deste post é lançar um alerta diante dos desastres naturais e mostrar como os residentes se previnem diante de uma catástrofe dessa magnitude e como estão retomando a vida normal depois da passagem do furacão.

Antes do furacão: prevenção

Felizmente – e muito disso devemos à tecnologia! – a população fica sabendo da chegada do furacão dias antes, o que nos permite tempo suficiente para tomar as medidas necessárias, como garantir água, alimentos, gasolina, proteger a residência ou evacuar para outras áreas, se for o caso.

Sendo Miami uma das áreas mais prováveis de serem atingidas, e com Fort Lauderdale a menos de 50 km de distância da metrópole, a nossa área também era de grande risco. O grande problema de um furacão, principalmente em cidades litorâneas, é o risco de inundação por conta das fortes tempestades e da água do oceano. Cientes disso, montamos uma operação para proteger a nossa residência colocando madeira em todas as janelas e portas e garantindo água e mantimentos. Estávamos preparados com água e comida para uma semana, e confiantes de que, se a reclusão fosse necessária por mais tempo, o governo daria um respaldo à população (como foi feito na passagem do furacão Wilma em 2005).

Comunidade brasileira se une na prevenção contra os possíveis estragos do Irma.

Nesses tempos de informações em alta velocidade, os alertas vinham através de todos os canais. Optamos por receber informações oficiais do governo pela mídia, mas para ter informações locais e mais próximas, usamos um grupo de brasileiros no WhatsApp. Os alertas do governo serviram principalmente para nos acalmar e passar confiança. Apesar de sabermos dos estragos que um furacão dessa escala poderia trazer, a segurança passada pelo governador Rick Scott nos deixou tranquilos e confiantes de que tudo ficaria bem e que, caso fosse necessário, a ajuda viria.

Mas a ajuda prática realmente veio da comunidade de brasileiros. Sempre que alguém postava uma pergunta no WhatsApp, era prontamente respondido. As pessoas ajudavam umas as outras a conseguirem gasolina, abrigo, mantimentos, a protegerem a casa – foi uma verdadeira corrente de solidariedade!

Durante o furacão

Em nenhum momento faltou energia na região, o que nos ajudou a acompanhar pela TV e pela internet a chegada da tempestade. Os ventos foram muito fortes durante o domingo, o barulho chegava a ser realmente assustador, mas por volta das 18:00 do mesmo dia o vento forte já havia cessado e a chuva diminuído.

Informações básicas
  • Esteja sempre alerta às orientações dadas pelas autoridades.
  • Obedeça ao toque de recolher.
  • Proteja a sua residência para impedir ou minimizar os estragos causados pela tempestade e pela força do vento.
  • Compre mantimentos (água, enlatados, biscoitos e alimentos não perecíveis em geral), pilhas, baterias e lanternas.
  • Mantenha o kit de primeiros socorros sempre próximo, bem como remédios prescritos para alguém da família.
  • Em um saco plástico, de preferência que possa ser vedado, guarde documentos importantes e dinheiro.
  • Se as autoridades determinarem evacuação, com calma e segurança, tente sair da cidade o mais breve possível.
  • Procure um abrigo, se precisar: http://www.floridadisaster.org/shelters/summary.aspx
Voltando à rotina depois do furacão

Embora com alguns pontos inundados, graças à excelente estrutura da cidade e do empenho dos moradores, Fort Lauderdale já está de volta à normalidade. Nos dias seguintes ao furacão, já era possível ver as árvores sendo retiradas das ruas, a população auxiliando na limpeza, famílias que saíram de suas casas voltando, vizinhos se ajudando. As crianças se preparam para voltar à escola na próxima semana, à medida em que a energia vai voltando em alguns pontos, as pessoas voltam aos seus trabalhos, os eventos planejados começam a seguir sua programação normal. Agora, os reparos necessários estão sendo finalizados, e ainda que o Irma seja uma triste e assustadora lembrança, a vida volta a seguir o seu curso.

Nota: Este relato é baseado em Fort Lauderdale. Sabemos que na região dos Keys, nas ilhas caribenhas e em Cuba a devastação foi infinitamente maior, e certamente será preciso mais tempo para que alguns lugares sejam reerguidos e a vida normal dos seus moradores seja retomada. A ideia desse relato não é comparar estragos, e sim passar a visão de alguém que vivenciou cada etapa da experiência de um furacão.