O Thanksgiving – ou Dia de Ação de Graças – é um dos feriados mais tradicionais aqui nos EUA. Muitos amigos brasileiros, mesmo sem trazer na bagagem a festividade como uma tradição no país de origem, já se adaptaram culturalmente à data e celebram o dia com o mesmo entusiasmo que os americanos. O Thanksgiving é uma das minhas datas comemorativas favoritas pela chance de reunir amigos e familiares sem ter a obrigação de comprar presentes.

Antigamente, as famílias se reuniam para agradecer à Deus pela boa colheita após um período de dificuldades. Atualmente, o Dia de Ação de Graças, celebrado na quarta quinta-feira de novembro, é comemorado em gratidão à todas as coisas boas que acontecem ao longo do ano. Como ex-professora de história, sempre tive a curiosidade de saber sobre o primeiro Thanksgiving, e através de algumas pesquisas descobri coisas bem interessantes.

Festa internacional da fraternidade

O primeiro Thanksgiving foi celebrado em 1621, na colônia de Plymouth, no estado de Massachussets. Uma fraternidade de britânicos e nativos norte-americanos se encontraram para comemorar a boa colheita do período e fazer uma aliança entre as duas nações. Como os representantes dos dois países eram todos homens, o primeiro Dia de Ação de Graças foi uma festa internacional da fraternidade.

Trabalhe duro, mas não deixe de se divertir

O primeiro Thanksgiving foi um farto banquete que durou três dias. Tanto os peregrinos quanto os índios desejavam “celebrar juntos após colher os frutos do trabalho” (Edward Winslow, 1621). Muitos dos participantes precisaram viajar a partir de terras longínquas para poder participar da festa, e ir e voltar no mesmo dia não era uma possibilidade. Para valer o sacrifício da viagem, eles permaneceram por alguns dias para aproveitar cada merecido momento de diversão.

E as mulheres, onde estavam?

O primeiro Dia de Ação de Graças não foi uma reunião entre familiares e amigos tal qual a conhecemos hoje. O  encontro de cunho político tinha como intuito festejar a boa colheita, e provavelmente sem a ajuda dos índios Wampanoags, os peregrinos não teriam motivo algum para celebrar. Eles mal tinham conseguido sobreviver ao outono no Novo Mundo, então, além da boa colheita, havia também esse motivo para dar graças. A comemoração contou com a participação de líderes das duas nações.

As únicas mulheres presentes eram quatro inglesas, nenhuma nativa norte-americana. As quatro britânicas foram as únicas pessoas do sexo feminino que sobreviveram ao primeiro ano na colônia. O papel delas nos festejos, contudo, foi apenas o de servir aos homens.

Aves no banquete

Vasculhando a história do primeiro Thanksgiving, não restam dúvidas de que as aves eram o prato principal do cardápio. De acordo com as anotações de Edward Winslow, quatro homens ingleses saíram para caçar e trouxeram uma enorme quantidade de aves, que durou os três dias de festejos. Os peregrinos tinham perus estocados para o inverno, mas o consumo deles no primeiro Dia de Ação de Graças permanece incerto. Mas nem só de aves foi o banquete da festa…

Os índios Wampanoag trouxeram carne de cervo como um presente para os ingleses. Por se tratar de uma cidade litorânea, eles também tinham à disposição vários tipos de frutos do mar, como amêijoas, enguias, lagostas, mexilhões e bacalhau; e uma boa variedade de legumes e vegetais, como cebolas, naboas, espinafre, cenoura e abóbora.

“Bye-Bye Miss American Pie”

A abóbora, tão tradicional nas festas outonais do hemisfério norte, também fez parte do banquete do primeiro Thanksgiving. Isso significa que na celebração de 1621, a mesa também estava repleta de deliciosas tortas de abóbora, certo? Resposta e-e-errada! Naquele tempo, apesar da boa colheita, não havia forno e nem ingredientes importantes (como a farinha) para se fazer uma bela e deliciosa torta.

Muita carne e nada de batatas

Ah, se soubessem o que estavam perdendo… As batatas não fizeram parte da comilança do primeiro Dia de Ação de Graças por um motivo muito simples: tanto a batata tradicional quanto a batata doce, provenientes da América do Sul e do Caribe, ainda não tinham chegado lá por aquelas bandas de Massachussets. Os colonos e os Wampanoags não sabem o que perderam!

Segundo Linda Coombs, historiadora, diretora do Aquinnah Cultural Center e autora de obras sobre a tribo Wampanoag, peregrinos e nativos provavelmente comeram o “sobaheg”, uma versão indígena do recheio feito com milho, raízes, feijão, abóbora e vários tipos de carne.

Gratidão!

Como dá para perceber, o primeiro Dia de Ação de Graças foi bem diferente do que celebramos hoje. Mas a essência do festejo – compartilhar e agradecer – continua a mesma, e por isso sou muito grata. Espero que você também tenha muitos motivos para agradecer, independentemente de estar nos EUA ou no Brasil, e de ter ou não o costume de celebrar a data. Feliz Dia de Ação de Graças!

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Désirée Ávila, doutora em Tecnologia Educacional, lecionou durante 10 anos e recebeu vários prêmios em sua carreira com professora. Atuando agora como corretora de imóveis e influenciadora no ramo imobiliário, Désirée oferece um alto nível de profissionalismo e comprometimento na busca do imóvel ideal para seus clientes. Residente do sul da Flórida, área em que é especialista, Désirée é fluente em inglês, português, espanhol, francês e italiano.